Alérgicos têm a opção da “pílula de perfume”

     Os alérgicos sofrem com as constantes reações causadas pelo uso de desodorantes e perfumes que, mesmo indicados por médicos ou classificados como antialérgicos causam irrigação e vermelhidão.

     Para ajudar estas pessoas, o Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveu, em 2004, a “pílula de perfume”. A cápsula contém quitosana e óleo de lavanda, substâncias que são eliminadas pelo suor dando a sensação de corpo levemente perfumado.

     Afrânio Craveiro, diretor do Padetec e coordenador de Pesquisa do Projeto, explica que a quitosana é um produto usado tradicionalmente para emagrecimento, porque é uma fibra natural que absorve gordura. “Nós juntamos a propriedade do óleo de lavanda com a quitosana, então a pessoa combate o colesterol, elimina gordura e exala o cheiro. É o mesmo princípio das pílulas de alho, que também exalam cheiro, mas um que não é agradável”, diz Afrânio Craveiro.

     A pílula de perfume é um produto natural que, segundo o coordenador da Pesquisa, não tem contra-indicação, mas não deve ser consumida por pessoas alérgicas a frutos do mar.

     Hoje apenas o cheiro de lavanda está disponível no mercado e os pesquisadores já preparam outras fragrâncias, como cravo e canela.

     Para a Anvisa o produto não pode ser vendido como medicamento ou cosmético, uma vez que ele está registrado no órgão sob o nome Fybersense e como alimento natural, ou seja, não é preciso receita médica para comprar.

 

     Meio ambiente – a solução para os alérgicos se tornou possível quando os pesquisadores do Padetec estudavam o acúmulo de resíduos de crustáceos no meio ambiente. Para o desenvolvimento da pílula, os pesquisadores, retiram a quitosana da carapaça de crustáceos.

     Segundo Afrânio Craveiro, “as carapaças de camarão, siri, lagostas e outros frutos do mar são descartadas de maneira incorreta e poluem o meio ambiente. Nós transformamos esses resíduos em um produto natural que combate o colesterol. No Japão, a quitosana já é usada em produtos medicinais há duas décadas.”